Pequenos produtores rurais do estado do Rio estarão conectados à Rio+20 em tempo real. A partir da conferência, em junho, pelo menos 17 câmeras em três localidades vão mostrar o cotidiano do campo. Além de ensinar às crianças que “leite não nasce em caixa”, por exemplo, o sistema alimentará com imagens técnicos e ambientalistas.
A transmissão de imagens faz parte de um programa mais amplo, o programa Rio Rural no qual Banco Mundial e estado investirão US$ 300 milhões até 2018 em 200 localidades. Com o aparato de telecomunicações, será possível enviar os dados meteorológicos colhidos nas 30 estações que já estão em funcionamento. A promessa é criar novas unidades climáticas em todas as comunidades rurais beneficiadas pelo projeto.
Antenas amplificadoras de sinal de celular aumentarão a cobertura tanto para conversas telefônicas como para acesso à internet. A tecnologia permitirá melhorias na transmissão de alertas de emergência, como os avisos de perigo de deslizamento de encostas.
A primeira localidade que deverá receber câmeras deverá ser a que fica próxima ao Rio Bengalas, em Teresópolis. O agricultor que receberá os equipamentos sofreu muitas perdas durante as chuvas de janeiro de 2011. No local, serão monitorados dois projetos: a recuperação da vegetação da margem do rio e o plantio em curva de nível, que reduz a erosão do solo. As câmeras são móveis e poderão ser deslocadas para cobrir diferentes áreas.
Outra ferramenta tecnológica do Rio Rural que promete melhorar a produção e preservar o meio ambiente é o simulador. A engenhoca, que faz lembrar um videogame, é capaz de rodar modelos matemáticos com os quais especialistas calculam os impactos de diferentes técnicas agrícolas em determinados solos.
O Maya Pedal é um projeto criado em San Andreas Itzapa, na Guatemala, que projeta e fabrica “bicimáquinas”, uma tecnologia que transforma velhas bicicletas em máquinas a pedal. As “bicimáquinas” são distribuídas aos pequenos produtores rurais da Guatemala. O objetivo da iniciativa é contribuir para a conservação do meio ambiente, a saúde do povo guatemalteco, além de promover a produtividade da economia local.
O PAIS é um projeto apoiado pelo Sebrae, em parceria com a Fundação Banco do Brasil e o Ministério da Integração Nacional, que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida e proporcionar sustentabilidade para as comunidades atendidas. Além disso, estimula a prática da agricultura orgânica por meio de processo produtivo sem o uso de agrotóxicos.
Idealizada pelo engenheiro agrônomo senegalês, Aly N’diaye, a tecnologia social é inspirada na atuação de pequenos produtores que optaram por fazer uma agricultura sustentável, sem uso de produtos tóxicos e com a preocupação de preservar o meio ambiente. Integrando técnicas simples e já conhecidas por muitas comunidades rurais, o PAIS busca:
• Reduzir a dependência de insumos vindos de fora da propriedade;
• Diversificar a produção;
• Utilizar com eficiência e racionalização os recursos hídricos;
• Alcançar a sustentabilidade em pequenas propriedades;
• Produzir em harmonia com os recursos naturais.
N’diaye, que também é sócio do ator Marcos Palmeira (principal incentivador da tecnologia) na fazenda Vale das Palmeiras, baseou-se na ideia de canteiros circulares com um galinheiro central, dessa forma, os produtores podem cultivar em uma área de 5.000 m² uma série de hortaliças, legumes, carnes, ovos e frutas. O projeto inclui sistema de irrigação por gotejamento, uma forma de baixo custo que não causa danos ao meio ambiente.
No Brasil, dez mil famílias já foram beneficiadas. O objetivo de N’diaye e Palmeiras é que o PAIS se torne uma política pública para acabar com a fome e que o país se torne um parceiro na África. A ideia é que, juntos, Brasil e Senegal saiam da condição de terceiro mundo.