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Conexões Rurais – Confira a lista de Boas Práticas

24 de abril de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira

O Blog da Rede Jovem Rural compilou e apresentou um resumo das 10 boas práticas selecionadas para a publicação da revista Conexões Rurais, lançada pelo Instituto Souza Cruz no ano passado. As experiências foram identificadas pelas organizações que receberam jovens no III Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira, em 2010. Confira abaixo o compliado das iniciativas:

Agroecologia no Sertão do Pajeú
Diversificação no Baixo Sul da Bahia
Sustentabilidade na Serra Dourada
Tratamento de resíduos no Oeste Catarinense
Empreendedorismo nas Encostas
Comunicação no Sisal Baiano
Mel no Baixo Amazonas
Sistema Agroflorestal no Acre
Café na Serra Capixaba
Associação Comunitária Duas Serras

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Associação Comunitária Duas Serras [Conexões Rurais]

20 de abril de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira, Sem categoria

A Associação Comunitária Duas Serras, do município de Serra Branca (PB), começou a ser desenhada em 1997 quando um grupo de moradores decidiu por conta própria inverter o quadro de evasão e desemprego que tomava conta da região. “Tivemos que lutar muito e colocar as ideias em prática para que todos vissem que o negócio era sério”, explica Evanildo Oliveira de Araújo, fundador da associação.

Desde então, a vida dos moradores de Duas Serras mudou substancialmente. Através da Associação, a comunidade participa do programa Arca das Letras, tem telefone público instalado, sinal de Internet, telecentro próprio, entre outros.

O mais ambicioso e ousado projeto, porém, teve início apenas em 2009. Através de uma parceria com a Fundação Elo, a associação conseguiu um capital de giro de R$ 22 mil para a construção de uma unidade de beneficiamento de castanha de caju. A unidade era um sonho antigo de todos os associados que perceberam o potencial que a região oferecia, além da amplitude que o projeto poderia alcançar, estimulando produtores da região e gerando emprego na própria região.

Além da construção da unidade de beneficiamento e da instalação do maquinário, uma equipe de associados fez intercâmbios e capacitações, através de parcerias com o Sebrae-PB, Emater-PB e Embrapa. Hoje, a associação emprega 21 funcionários e envolve mais de 100 produtores da região, beneficiando cerca de 600 famílias.

“Antes de começarmos, as famílias possuíam três ou quatro cajueiros. Atualmente, a média é de dez pés por propriedade”, explica Evanildo. O quilo da castanha é vendido por R$ 16 e comercializado também em saquinhos de 50g e 500g, nas versões torrada com sal e in natura.

“Eu não tinha noção do quanto é trabalhoso o beneficiamento da castanha. Gostei de ver a articulação da Associação Comunitária Duas Serras, desde a produção até a comercialização. O caju é uma ótima alternativa de renda para aquela população e a iniciativa merece ser divulgada”.

Wallace Boone Haese, participou do III Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira, representando o Mepes.

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Café na Serra Capixaba [Conexões Rurais]

12 de abril de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira

A saúde foi a motivação para a família capixaba Rossmann, que vive em Santa Maria de Jetibá, deixar de cultivar café utilizando agrotóxico. O período de transição durou mais de sete anos, entre 1986 a 1993. A agroindústria foi construída com recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O incentivo da igreja Luterana, através da parceria com as organizações europeias, foi importante não só pela opção pelo sistema orgânico, como também para que a propriedade recebesse a certificação adequada – no caso, através da organização Chão Vivo.

No processo de produção, o café precisa ser colhido, separado e lavado no mesmo dia. Após esta primeira fase, o café descascado, suspenso no terreiro e colocado para secar, num cimentado, em horas de forte calor. A seguir, o produto é torrado e sofre nova moagem.

Depois de seco, o café é beneficiado fora da propriedade, numa máquina que limpa e faz o polimento dos grãos. A máquina, terceirizada para o serviço, coloca o café em sacas de 60 Kg, rotuladas com a marca Romavary. Anualmente, a produção alcança cerca de 5 toneladas de pó (ou 100 sacas).

Em 2003, o café Romavary, produzido pelos Rossmann, ganhou, finalmente, o selo de qualidade, que atesta sua origem de produção orgânica e permite sua comercialização.

“O que mais se destaca, tomando como exemplo a experiência da família Rossmann, foi a independência destes agricultores, que dominam toda a cadeia produtiva, desde o plantio até o beneficiamento do café torrado e moído. Eles são, de fato, empreendedores, e sabem onde querem chegar”.

Virgínia Almeida participou do III Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira representando o Serta.

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Sistema Agroflorestal no Acre [Conexões Rurais]

O estado do Acre é recoberto por 88% de floresta amazônica, da qual uma vasta área ainda apresenta espécies primárias. Porém, boa parte está sendo devastada principalmente pela expansão irregular da pecuária e pelas queimadas agrícolas.

Um caminho para manter a floresta em pé, e ainda recuperar áreas degradadas, é o Sistema Agroflorestal (SAF), uma técnica que consorcia culturas de longa duração, como espécies madeireiras nativas, com culturas de curta duração, como espécies frutíferas, leguminosas e até mesmo tubérculos. É importante que não haja competição entre as culturas.

Apesar de poucos produtores utilizarem o SAF no estado, a Escola da Floresta vem preparando técnicos conscientes sobre esse sistema ao oferecer o curso Técnico Agroflorestal, com a carga horária de 1.500 horas. A formação inclui atividades teóricas e práticas, onde o educando aprende a teoria em sala de aula, e depois a coloca em prática com o acompanhamento de mediadores.

A interferência humana aliada à utilização de práticas devastadoras, máquinas e agrotóxicos chegaram a tal ponto que o homem não consegue mais conter o desequilíbrio biológico provocado por ele mesmo. “Com isso, a interação natural deixa de existir, não acontece mais a ciclagem de nutrientes, o ciclo da água é rompido, gerando um desequilíbrio ambiental, regiões secas, inundações, aquecimento global e outros problemas climáticos”, destaca Francisco de Assis Silva, técnico agroflorestal da Escola da Floresta.

Neste cenário, o agricultor consciente que implanta o SAF, além de ajudar a evitar tais problemas ambientais, recupera as espécies nativas e consegue produzir preservando a floresta de pé.

Outra grande vantagem apontada por Assis é que o produtor aproveita da área o oxigênio que é produzido pelas leguminosas, e o adubo orgânico que se decompõe ao longo dos anos. Dessa forma, ele não precisa comprar adubos específicos, pois a própria natureza produz o que necessita.

O SAF pode ser implantado em qualquer lugar e bioma, mas mudando as espécies de acordo com a região. Também não há restrição de espaço. Uma das principais dificuldades apontadaa é com relação às sementes, uma vez que a coleta das mesmas, muitas vezes, é insuficiente. Por isso, tornam-se caras e difíceis de serem encontradas “A solução, portanto, é que o próprio agricultor aprenda a coletar e a fazer seu banco de sementes”, recomenda Assis.

“Estamos criando condições para que famílias que antes dependiam exclusivamente dos técnicos do governo, possam melhorar a produtividade, acessar novas tecnologias e desenvolver métodos sustentáveis de produção, saindo do tradicional sistema de ‘corte e queima'”.

Tião Viana, governador do estado do Acre

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Mel no Baixo Amazonas [Conexões Rurais]

28 de março de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira

A boa prática registrada foi a produção de mel, cultura que vem se destacando na região do Baixo Amazonas desde o início dos trabalhos da Arcafar-AM se iniciaram no município de Boa Vista do Ramos, município de maior destaque na meliponicultura na região, onde a produção alcança a soma de R$ 72 mil anuais, com a produção – os dados se referem à safra de 2004 – de 5 toneladas, por 170 pequenos agricultores.

A partir do novos conhecimentos trazidos pela Pedagogia da Alternância e o apoio técnico do Instituto Iraquara, as famílias apostaram na meliponicultura como uma alternativa à produção do cacau, que sofria com a praga vassoura de bruxa. Para ocupar o espaço na propriedade, foram inicialmente colocados meliponários na intenção de produzir para o consumo doméstico. Em pouco tempo, os produtores fundaram a Associação dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia (ACAIA) e a Cooperativa do Mel (COOPMEL), possibilitando a comercialização para outras cidades no estado do Amazonas.

Em 2003, na unidade familiar de um dos alunos da primeira turma da Casa Familiar, foram investidos R$9 mil com recursos próprios. Logo a seguir, um novo apoio veio através do Projeto Mel da Amazônia, da Petrobras, através da assistência técnica e logística na distribuição da produção nos barcos voadeiras. Só na unidade familiar em questão foram implementadas 600 colmeias, cada uma produzindo cerca de 4 kg (e custo de R$250), alcançando a produção de 1,5 toneladas por ano.

O próximo desafio a ser vencido é obter a certificação do Serviço de Inspeção Federal (SIF), responsável pela verificação dos requisitos mínimos para o consumo de produtos de origem animal (alimentícios ou não) no país. Dado esse passo, que está em processo, estima-se um maior aumento do valor agregado do produto, potencializado pela maior possibilidade de comercialização local e, quem sabe, até de exportação.

“A Amazônia precisa de um modelo de capacitação específico para estas comunidades, abordando temas como composição do solo, sementes, manejo de recursos hídricos e tudo o que envolve este conceito produtivo que precisa ser contextualizado localmente”.

Carlos miller é representante da Fundação AVINA na Amazônia

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Comunicação no Sisal Baiano [Conexões Rurais]

22 de março de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira

A carência por serviços e produtos de comunicação que expressassem a realidade do semiárido baiano, sem as distorções da grande mídia, foi o que motivou a criação da Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura (AMAC).

A ideia de fundar a organização surgiu dos jovens que participaram do projeto Comunicação Juvenil, fruto de uma parceria entre o Movimento de Organização Comunitária (MOC), Unicef e Instituto Credicard.

Com sede no município de Retirolândia, a AMAC foi fundada por jovens com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável da região sisaleira. Em 2008, a Mandacaru foi reconhecida pelo Ministério da Justiça como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).

Hoje, ainda sob gestão juvenil, a agência consolida sua atuação capacitando outros jovens na área de comunicação, e ainda através de representação nos conselhos e coletivos municipais do território.

“O fato de ter a cabeça no mundo e os pés permanentemente no chão da terra faz do MOC ator importante para o desenvolvimento da Região Sisaleira da Bahia e do semiárido brasileiro”.

Ruy Pavan, coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para os estados da Bahia e Sergipe.

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Empreendedorismo nas Encostas [Conexões Rurais]

19 de março de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira

Com sede na pequena cidade catarinense de Santa Rosa de Lima, na região das Encostas da Serra Geral, a associação de agricultores Acolhida na Colônia tem a proposta de valorizar o modo de vida no campo através do agroturismo. Criada em 1998, a entidade desenvolve um modelo alternativo ao desenvolvimento intensivo de agricultura e turismo.

Os programas oferecem hospedagens aconchegantes, e o cuidado com o meio ambiente é destacado através da promoção da agricultura orgânica e de atividades que não agridem a natureza. Dessa forma, o visitante pode compartilhar o modo de vida, as tradições e a cultura local – mas, acima de tudo, conhecer de perto a dinâmica dessa cidade, considerada a Capital Catarinense da Agroecologia.

Atualmente, existem cerca de 20 estabelecimentos, entre pousadas e quartos coloniais, que recebem em torno de 5 mil visitantes por ano. Junto à Acolhida na Colônia, são mais de 200 associados, envolvendo diretamente mais de mil beneficiários.

Muitos jovens rurais que passam pelo PEJR, implantado pelo Instituto Souza Cruz em parceria com o Cedejor na região, desenvolvem projetos de agroturismo e contribuem para o fortalecimento local desta atividade.

“Os projetos do Cedejor promovem o debate e mostram para a sociedade e governos as pautas que motivam os jovens do campo, o que é vital para a construção de um rural ‘com gente’”.

Reni Denardi, delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

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Tratamento de resíduos no Oeste Catarinense [Conexões Rurais]

15 de março de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira

Um dos problemas de maior impacto ambiental no Oeste Catarinense é o excesso de esterco proveniente dos inúmeros aviários e chiqueiros que dominam a paisagem. O solo, os lençóis freáticos e os rios tornam-se poluídos e comprometem a sustentabilidade da região.

Pensando em minimizar os impactos da produção e transformar o excesso de dejetos em produto, o jovem Vagner Paludo, de 21 anos, e seu pai, Leonel, decidiram implementar na propriedade, na comunidade de Preferido Alto, em Iporã do Oeste, um sistema inovador de esterco seco.

A ideia de implementar o sistema surgiu em 2008 através do Sindicato de Trabalhadores Rurais local, que organizou uma visita ao município de Concórdia, onde o processamento já era desenvolvido por produtores locais.

O esterco líquido sai dos chiqueiros através de dutos e é depositado em uma cama de serragem. Com uma máquina própria, um sistema de hélices remexe a mistura quatro vezes ao dia durante nove meses. Ao final, o adubo pode ser estocado e comercializado. O saco de 30 kg custa R$ 5 e o de 40 kg R$ 7.

A máquina teve um custo de R$ 16 mil. O galpão, construído em parte com material de demolição,
custou R$ 45 mil. “Conseguimos produzir 300m³ de esterco seco e a ideia é expandir para dar conta de todo o dejeto produzido pelos suínos. Ainda somos os únicos que trabalham com esterco seco na região e o negócio tem se tornado uma ótima fonte de renda extra”, comemora Vagner.

“A iniciativa do Wagner e sua família serve como modelo para a agricultura familiar brasileira e reflete a minha percepção do Oeste Catarinense como uma região onde o povo é rico, trabalhador e empreendedor”.

Maria José da Silva, participou do III Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira, representando o PAER.

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Sustentabilidade na Serra Dourada [Conexões Rurais]

13 de março de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira

O assentamento Serra Dourada (GO), tem José Osmar Marques, ex-diretor da Efago (associada à AEFACOT) como o primeiro assentado, em 2000. Com apoio da Diocese local e da CPT, Osmar construiu sua casa e montou a primeira estufa para a produção de hortaliças. Com os recursos do INCRA, e também do Pronera, outras estufas foram construídas por outros assentados.

O investimento no projeto mais recente foi de aproximadamente R$ 40 mil, divididos entre custeio da lavoura, assistência técnica, ferramentas, aquisição de animais e construção da residência.

A comercialização dos alimentos é realizada na cidade de Goiás Velho, que possui estradas acessíveis e permite melhor distribuição. Além disso, 30% da produção são destinados para programas governamentais através da Cooperativa de Pequenos Agricultores Familiares e Região (COOPAR).

A primeira parcela do assentamento já alcançou a produção de 3 mil pés de alface por semana, gerando trabalho e renda para quatro famílias de agricultores. Atualmente, a cooperativa busca a diversificação investindo na produção de polpas de frutas. Fora isso, também são comercializados alface, couve, rúcula, agrião, mostarda, brócolis e
frutas como a mexerica e o maracujá.

“Conheci o trabalho da AEFACOT em agosto de 2008, tendo contato com diversos projetos de educação que estão ajudando a fortalecer a agricultura familiar. Foi, certamente, uma das visitas que mais me marcou”.

Marcos Marques é professor de Sociologia da Educação do Instituto de Educação de Angra dos Reis (IEAR/UFF)

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Diversificação no Baixo Sul da Bahia [Conexões Rurais]

9 de março de 2012 | Publicado em Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira

Com 22 anos, Necildo Silva dos Santos vive com os pais e dois irmãos no Baixo Sul da Bahia, região que, apesar de ser uma das mais pobres do estado, é a maior na produção de cacau do país. Até 2008, a propriedade da família, com 20 hectares, era apenas mais uma no município de Presidente Tancredo Neves, prevalecendo a monocultura.

Nesse mesmo ano, o jovem ingressou na Casa Familiar Rural do município, que recebe apoio da Fundação Odebrecht. Com os novos aprendizados, ele percebeu as potencialidades de sua terra e comandou o processo de diversificação da propriedade.

Com foco na fruticultura, Necildo conseguiu um financiamento e viabilizou a plantação de 240 pés de banana. Em seguida, com recursos próprios e novos créditos, ele introduziu o maracujá e pés de seringueira. Hoje, a família é referência para as unidades produtivas vizinhas.

“Procuramos estimular a participação do jovem como sujeito ativo, agente multiplicador e promotor de ações sociais”.

Maurício Medeiros, atual presidente executivo da Fundação Odebrecht.

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