A boa prática registrada foi a produção de mel, cultura que vem se destacando na região do Baixo Amazonas desde o início dos trabalhos da Arcafar-AM se iniciaram no município de Boa Vista do Ramos, município de maior destaque na meliponicultura na região, onde a produção alcança a soma de R$ 72 mil anuais, com a produção – os dados se referem à safra de 2004 – de 5 toneladas, por 170 pequenos agricultores.
A partir do novos conhecimentos trazidos pela Pedagogia da Alternância e o apoio técnico do Instituto Iraquara, as famílias apostaram na meliponicultura como uma alternativa à produção do cacau, que sofria com a praga vassoura de bruxa. Para ocupar o espaço na propriedade, foram inicialmente colocados meliponários na intenção de produzir para o consumo doméstico. Em pouco tempo, os produtores fundaram a Associação dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia (ACAIA) e a Cooperativa do Mel (COOPMEL), possibilitando a comercialização para outras cidades no estado do Amazonas.
Em 2003, na unidade familiar de um dos alunos da primeira turma da Casa Familiar, foram investidos R$9 mil com recursos próprios. Logo a seguir, um novo apoio veio através do Projeto Mel da Amazônia, da Petrobras, através da assistência técnica e logística na distribuição da produção nos barcos voadeiras. Só na unidade familiar em questão foram implementadas 600 colmeias, cada uma produzindo cerca de 4 kg (e custo de R$250), alcançando a produção de 1,5 toneladas por ano.
O próximo desafio a ser vencido é obter a certificação do Serviço de Inspeção Federal (SIF), responsável pela verificação dos requisitos mínimos para o consumo de produtos de origem animal (alimentícios ou não) no país. Dado esse passo, que está em processo, estima-se um maior aumento do valor agregado do produto, potencializado pela maior possibilidade de comercialização local e, quem sabe, até de exportação.
“A Amazônia precisa de um modelo de capacitação específico para estas comunidades, abordando temas como composição do solo, sementes, manejo de recursos hídricos e tudo o que envolve este conceito produtivo que precisa ser contextualizado localmente”.
Carlos miller é representante da Fundação AVINA na Amazônia
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