Todos os sábados, junto aos primeiros feixes de luz do vagaroso Sol, chegam à Avenida José Bonifácio dezenas de gentes de mãos sujas. São de uma cor e de um cheiro de terra que vêm de diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Elas puxam cordas, esticam lonas, montam estacas de ferro ou madeira e empilham caixas coloridas. Aqui, uma vez por semana, encontram-se com outras mãos, sem calos e fedendo a sabonete, trazendo o alimento mais limpo no qual já puderam tocar.
Há 22 anos, a Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE) de Porto Alegre preenche o canteiro central na pequena rua em frente ao Parque Farroupilha. Na famosa Rua do Brique, Rua do Colégio Militar, Rua da Redenção, as manhãs de sábado recebem desconhecidas beldroegas, ora-pró-nóbis, kinos, juçaras, araçás e tantas outras. Além de milhares de outros alimentos distribuídos em 41 bancas permanentes e oriundos de uma produção livre de agrotóxicos e insumos químicos.
O portal Fator Brasil fez um post bem bacana sobre opções saudáveis de alimentação no Riocentro durante a Rio+20. O ator e produtor, Marcos Palmeira, sócio da Fazenda Vale das Palmeiras, em Teresópolis, é um dos principais produtores de orgânicos do estado do Rio e para a conferência, fez uma parceria com o restaurante Vila Paulistana, fornecendo itens de hortifruti como tomate, rúcula, alface, batata… e também café 100% arábico, orgânico e biodinâmico, lançado na Rio+20.
Na praça de alimentação do encontro, 50% dos restaurantes e lanchonetes têm produtos naturais ou orgânicos e os outros são multimarcas nacionais. É possível encontrar até chopp e vinho artesanais orgânicos, além de sucos e carnes. Além dos restaurantes, na praça de alimentação pode-se encontrar também artesanato feito com materiais reciclados, estações de reciclagem e outros atrativos.
O programa A Cidade em Revista, do Crea-MT, aborda a agricultura orgânica como tema desta matéria especial, destacando as principais vantagens da prática tanto para quem cultiva quanto para quem consome. Confira.
Recentemente publicada no site do jornal O Globo, matéria sobre o consumo de alimentos orgânicos destaca o crescimento do consumo em paralelo à queda dos preços, hoje um dos principais gargalos do setor. De acordo com o texto, o faturamento com produtos orgânicos cresce mais no Brasil do que nos maiores mercados de alimentos e bebidas do mundo.
Segundo estudos da consultoria Euromonitor, aumentou 9,8% em 2011 o valor total das vendas de alimentos processados e bebidas orgânicas no país, depois de uma alta de 40,6% em 2010. A Euromonitor estima ainda que os orgânicos são, no geral, de 60% a 100% mais caros do que convencionais. Mas espera que essa distância caia para algo em torno de 30% a 40%.
De acordo com Marcos de Freitas, gerente comercial de orgânicos do Grupo Pão de Açúcar, “os produtos de hortifruti ainda são 40% mais caros que os convencionais, as carnes, com preços 36% superiores. Já os de mercearia, como açúcar, farinha e barrinhas de cereal já conseguem ser bastante atrativos e alguns até mesmo mais baratos”.
De olho na Copa e Olimpíadas
Para empresário Dick Thompson, do Sítio do Moinho, em Itaipava, eventos como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 podem gerar novas oportunidades através de parcerias com a rede hoteleira que poderá oferecer pratos orgânicos aos hóspedes mais exigentes e preocupados com a saúde.
O PAIS é um projeto apoiado pelo Sebrae, em parceria com a Fundação Banco do Brasil e o Ministério da Integração Nacional, que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida e proporcionar sustentabilidade para as comunidades atendidas. Além disso, estimula a prática da agricultura orgânica por meio de processo produtivo sem o uso de agrotóxicos.
Idealizada pelo engenheiro agrônomo senegalês, Aly N’diaye, a tecnologia social é inspirada na atuação de pequenos produtores que optaram por fazer uma agricultura sustentável, sem uso de produtos tóxicos e com a preocupação de preservar o meio ambiente. Integrando técnicas simples e já conhecidas por muitas comunidades rurais, o PAIS busca:
• Reduzir a dependência de insumos vindos de fora da propriedade;
• Diversificar a produção;
• Utilizar com eficiência e racionalização os recursos hídricos;
• Alcançar a sustentabilidade em pequenas propriedades;
• Produzir em harmonia com os recursos naturais.
N’diaye, que também é sócio do ator Marcos Palmeira (principal incentivador da tecnologia) na fazenda Vale das Palmeiras, baseou-se na ideia de canteiros circulares com um galinheiro central, dessa forma, os produtores podem cultivar em uma área de 5.000 m² uma série de hortaliças, legumes, carnes, ovos e frutas. O projeto inclui sistema de irrigação por gotejamento, uma forma de baixo custo que não causa danos ao meio ambiente.
No Brasil, dez mil famílias já foram beneficiadas. O objetivo de N’diaye e Palmeiras é que o PAIS se torne uma política pública para acabar com a fome e que o país se torne um parceiro na África. A ideia é que, juntos, Brasil e Senegal saiam da condição de terceiro mundo.
O documentário Brasil Orgânico, que está sendo produzido pela Contraponto, vai mostrar iniciativas relacionadas aos produtos orgânicos em todas as regiões brasileiras: produtores, empresários, técnicos, produtos, consumidores e pesquisadores envolvidos com produção orgânica. O filme tem a direção e o roteiro assinados por Kátia Klock e Lícia Brancher.
Conheça o programa de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), que propõe a pequenos agricultores o uma técnica de cultivo livre de agroquímicos, diversificação da produção e integração entre os cultivos. O PAIS foi desenvolvido pelo engenheiro agrônomo senegalês Aly N’Diaye, sócio do ator Marcos Palmeira na fazenda Vale das Palmeiras, em Teresópolis (RJ).
A Associação de Agricultura Orgânica (AAO), que administra a feira pioneira da cidade, está divulgando uma série de fornecedores (feiras, lojas e entrega em domicílio) especializados em produtos orgânicos na cidade de São Paulo. De acordo com Márcio Stanziani, secretário-executivo da AAO, o objetivo é prestar um serviço à comunidade, divulgando diferentes iniciativas na capital paulista para consumidores querem comprar orgânicos.
As grandes redes de supermercados já possuem seções de orgânicos em suas gôndolas, mas o preço costuma ser mais alto do que em feiras onde ainda há a possibilidade de comprar diretamente das mãos do produtor!
A Fundação Grupo Boticário lançou o projeto Gastronomia Responsável. Sob a curadoria de Celso Freire, chefs de cozinha de Curitiba foram convidados a criar pratos que unem alta gastronomia e conservação da natureza. Todas as receitas são feitas a partir de quatro princípios:
1. Utilizar produtos orgânicos; 2. Utilizar produtos regionais; 3. Não utilizar espécies ameaçadas de extinção; 4. Aproveitar integralmente os alimentos.
Por enquanto, apenas restaurantes da capital paranaense estão participando do projeto e parte do valor dos pratos é revertida para as ações de conservação da natureza da Fundação. O site da iniciativa também dá dicas de como utilizar os princípios em casa e enviando sugestões de receitas.
O vídeo acima, Back to the Start (“De volta às origens”, em português), é uma animação lúdica – e com uma visão um pouco caricata do rural – que incentiva a agricultura familiar e critica os complexos agroindustriais que transformam fazendas em fábricas de alimentos processados.
Ironicamente, o vídeo foi feito para uma rede fast-food de comida mexicana, a Chipotle Mexican Grill, que compra seus ingredientes somente de produtores orgânicos ou naturais, além de cortes de animais criados soltos.